Alerta em Itaberaba: Jovem com possíveis transtornos mentais assusta moradores e comerciantes com ameaças

A circulação de um jovem, de aproximadamente 20 e poucos anos, por diversas áreas de Itaberaba tem gerado apreensão e preocupação entre comerciantes, trabalhadores e moradores locais. Relatos apontam que o rapaz tem abordado pessoas e, diante da negativa de seus pedidos, passa a fazer ameaças verbais e posturas intimidadoras. A sequência de episódios recentes evidencia o nível de vulnerabilidade e risco da situação. Na noite de ontem (21), o jovem ameaçou uma funcionária e cleintes na lanchonete Dogão da Maia e causou constrangimento na recepção da Academia Alfa Hit.
Na mesma região, nas proximidades da delegacia, vidros de um veículo foram quebrados. Já na tarde desta quinta-feira (22), no Espaço da Feira Nova, o rapaz entrou em altercação com feirantes enquanto empunhava uma faca, conforme videos que circulam pelas redes sociais.
Segundo informações apuradas, o jovem residiria na Rua 13, no bairro Campo do Governo em Itaberaba, e já possui cadastro e acompanhamento junto ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município. No entanto, diante dos episódios repetidos de desorganização comportamental, moradores e comerciantes questionam se o tratamento medicamentoso está sendo devidamente mantido ou se há necessidade de reavaliação clínica e intervenção protetiva. Tentativas de contato com os familiares não obtiveram êxito até o momento.
Um gargalo na rede de atenção à saúde
O cenário enfrentado em Itaberaba reflete uma questão estrutural severa: a sobrecarga e as limitações da rede de saúde mental. Com a demanda por atendimento em constante crescimento, a escassez de profissionais especializados — a exemplo da presença de apenas um médico psiquiatra para atender à demanda da rede municipal — sobrecarrega o sistema e dificulta o acompanhamento intensivo e contínuo de casos complexos. Embora episódios de intimidação gerem assustador impacto no cotidiano do centro urbano, especialistas e gestores da área reforçam que quadros de surto ou descompensação psiquiátrica devem ser tratados primordialmente sob a ótica da saúde pública e da assistência social, e não apenas como infração de segurança pública. A atuação policial, nestes cenários, cumpre papel pontual de contenção de danos e proteção imediata, mas não resolve a causa raiz do problema.
Para garantir a integridade física da população e do próprio jovem — que se encontra em extrema situação de risco —, faz-se indispensável a atuação conjunta dos órgãos competentes, incluindo a Secretaria Municipal de Saúde, o Ministério Público e o Poder Judiciário, seja para a busca ativa da família, avaliação médica em caráter de urgência ou adoção de medidas protetivas e de internação compulsória/interdição, caso fundamentado por laudo médico.
Tribuna da Chapada





