Quando a Mente Adoece em Silêncio: Uma Reflexão sobre Saúde Emocional – Tribuna da Chapada
Itaberaba

Quando a Mente Adoece em Silêncio: Uma Reflexão sobre Saúde Emocional

Nos últimos dias, um episódio ocorrido na cidade de Itumbiara chamou a atenção de toda a sociedade. Um secretário de Governo atirou contra os próprios dois filhos e, em seguida, tirou a própria vida. As circunstâncias da tragédia reacenderam discussões sobre um tipo de violência pouco conhecida, mas profundamente impactante: a violência vicária — quando alguém causa sofrimento extremo a outra pessoa por meio de terceiros, como forma de punição ou vingança.

Não é necessário mergulhar nos detalhes para reconhecer o quanto um acontecimento como esse é devastador. Ele nos convida a uma pergunta fundamental: o que está acontecendo com o estado emocional das pessoas ao nosso redor — e conosco mesmos? Vivemos em uma sociedade que, com razão, valoriza tanto os cuidados com o corpo. Fazemos exames de rotina, acompanhamos a pressão arterial, tratamos doenças como diabetes e obesidade, consultamos especialistas quando o olho não enxerga direito ou o coração dispara. No entanto, com o cérebro — o órgão que coordena todas as emoções, decisões e respostas — nem sempre temos o mesmo zelo.

O cérebro é quem interpreta a dor, processa perdas, lida com frustrações e organiza as respostas às adversidades. Quando está sobrecarregado por emoções intensas e não reguladas — como a sensação de rejeição, humilhação, raiva profunda ou desesperança — a mente pode perder a capacidade de organizar soluções adaptativas para os conflitos internos. E não estamos falando apenas de casos extremos registrados na imprensa. Reações emocionais descontroladas aparecem no trânsito, em conflitos familiares, nas rupturas de relacionamentos, em perdas de emprego ou em situações cotidianas de estresse. A diferença está na forma como essas experiências são processadas. Dor e sofrimento fazem parte da vida — mas quando a pessoa não possui mecanismos internos ou suporte para lidar com eles, o desfecho pode ser profundamente destrutivo.

Saúde emocional não é luxo. Não é sinal de fraqueza. Não é simplesmente “resistir” ou “aguentar firme”. Saúde emocional é condição básica para que um indivíduo possa viver, se relacionar, trabalhar, amar e enfrentar as próprias dificuldades com sabedoria e equilíbrio. Precisamos prestar atenção aos sinais de alerta dentro de nós mesmos e ao redor: pensamentos obsessivos, irritabilidade excessiva, explosões de raiva, isolamento social, sensação de que “não há mais saída”. Estes são como luzes de alerta no painel de um carro — ignorá-los não resolve o problema, apenas aumenta o risco de acidente. E não apenas nós, enquanto indivíduos, mas como sociedade, precisamos aprender a responder de forma mais sensível às dores emocionais. Muitas vezes, uma pessoa em sofrimento apresenta sinais claros, mas são minimizados ou ignorados. É como estar num cruzamento e ver um carro desgovernado vindo em nossa direção — fingir que nada está acontecendo não impede a colisão.

A mente, quando negligenciada, pode adoecer silenciosamente. E as consequências desse adoecimento muitas vezes ecoam em formas que nos chocarão profundamente — até que sejamos obrigados a questionar como cuidamos dela. Cuidar da mente deveria ser tão natural quanto cuidar da pressão arterial ou do coração. Procurar ajuda quando as emoções parecem incontroláveis ou quando comportamentos começam a sair do padrão habitual não é fraqueza — é responsabilidade com a própria vida e com as vidas que são afetadas por nós. Porque, quando a mente adoece em silêncio, as consequências podem ser irreversíveis.

Artigo de opinião – Por: Emerson Souza
Neuropsicólogo e especialista em Leitura Corporal e Comportamental
📞 (75) 99157-9068
Instagram: @terapeutaemersonsouza

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