Quando a pressa toma o volante: a ansiedade como risco silencioso no trânsito
Quem observa o trânsito da nossa cidade (Itaberaba) nos últimos tempos percebe um padrão preocupante: acidentes frequentes, situações de risco constantes e uma sensação de que as ruas se tornaram mais perigosas. Não se trata de um caso isolado ou de um episódio específico, mas de um fenômeno que vem se repetindo e exige reflexão.
Motociclistas em alta velocidade, motoristas avançando sinais, pessoas ao volante usando o celular, decisões tomadas em frações de segundo sem avaliação das consequências. Em comum, quase sempre, há um elemento invisível, porém determinante: a pressa alimentada pela ansiedade.
O trânsito é um espaço coletivo, onde cada decisão individual impacta diretamente a vida do outro. Quando alguém dirige, não conduz apenas um veículo — conduz responsabilidade. E é justamente nesse ponto que o estado emocional passa a ter um peso enorme.
Do ponto de vista da saúde emocional e do comportamento humano, a ansiedade coloca o organismo em estado de alerta constante. O corpo libera grandes quantidades de adrenalina e cortisol, hormônios ligados à sobrevivência. Esse mecanismo é útil em situações de perigo real, mas extremamente perigoso quando se torna permanente. Sob esse estado, o cérebro reduz a atuação do córtex pré-frontal, região responsável pelo raciocínio lógico, pela tomada de decisão consciente, pela empatia e pela avaliação de riscos. Em contrapartida, o sistema emocional assume o comando. O resultado é conhecido: menos razão, mais impulso.
É assim que surgem comportamentos como acelerar além do necessário, não perceber o outro no trânsito, minimizar riscos, agir no automático e acreditar que “nada vai acontecer”. O problema é que o trânsito não aceita decisões impulsivas. Um segundo de desatenção pode custar uma vida.
Vivemos uma rotina marcada pela urgência. Tudo é imediato, tudo precisa ser resolvido rápido, tudo parece mais importante do que o momento presente. Essa lógica não fica restrita ao trabalho ou à vida pessoal — ela entra no carro, sobe na moto e se manifesta nas ruas.
Por isso, falar de trânsito é, inevitavelmente, falar de saúde emocional. Dirigir com ansiedade é dirigir com o julgamento comprometido. É colocar a própria vida e a do outro em risco, mesmo sem intenção.
Talvez seja hora de repensarmos nossa relação com o tempo, com a pressa e com o controle. Desacelerar não é perder produtividade; é preservar vidas. Chegar alguns minutos depois é sempre melhor do que não chegar. O trânsito é um reflexo do nosso estado interno. Enquanto não cuidarmos da mente, continuaremos pagando um preço alto nas ruas. Consciência emocional também é segurança no trânsito.
Artigo de opinião Por: Emerson Souza
Especialista em Leitura corporal.
Terapeuta Emocional TRG 02.564 – Pós graduado em Neuropsicologia
Contato: 75-981253535 (Whatsap)





