Após feminicídio brutal em Itaberaba, sociedade civil e instituições convocam grande caminhada em defesa do direito de viver das mulheres

ITABERABA (BA) — A brutalidade de um crime que tirou a vida de uma jovem de apenas 18 anos no último domingo, 9 de agosto, provocou uma onda de consternação, dor e indignação que atravessa toda a cidade de Itaberaba e municípios da região da Chapada Diamantina. Raiana Silva dos Santos foi espancada e morta a golpes de barra de ferro no bairro Pé do Monte, crime praticado pelo próprio companheiro. A tragédia reacendeu com urgência o debate sobre o feminicídio na região e mobilizou uma reação coletiva sem precedentes das forças sociais e institucionais locais.
Em resposta ao ato de extrema violência e aproveitando o simbolismo do Agosto Lilás — mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher —, entidades de classe, órgãos do Poder Público, movimentos sociais e instituições de Itaberaba e região uniram forças para convocar a sociedade civil a ocupar as ruas da cidade em uma grande manifestação pacífica. Batizada de “Caminhada Pelo Direito de Viver”, a mobilização carrega o lema “Uma só voz. Nenhuma a menos”.

A iniciativa busca ir além da cobrança por justiça e impunidade: pretende transformar o luto em luta coletiva e conscientização permanente. A caminhada será um ato público de memória e respeito à história de Raiana Silva dos Santos, reafirmando que o direito de existir sem medo, sem agressões e com total dignidade é inegociável para todas as mulheres. As entidades organizadoras reforçam que Raiana não pode ser reduzida a mais um número nas estatísticas da violência de gênero, convocando toda a população a fortalecer a rede de proteção e denúncia.
O ato público está agendado para o dia 27 de agosto de 2026 (quinta-feira), com concentração e saída marcadas para as 16 horas, do Cacique, com destino final na Praça J.J. Seabra, no centro de Itaberaba. A comissão organizadora orienta que os participantes compareçam vestindo blusa branca, simbolizando a paz, a solidariedade à família da vítima e a união de toda a sociedade. A convocatória enfatiza que o evento pertence a toda a comunidade — homens, mulheres, jovens, famílias e instituições que defendem a vida.
A dimensão do movimento se reflete no amplo arco de apoio institucional que assina a realização da caminhada. Uniram-se na organização o Centro de Referência de Atendimento à Mulher Isabel Ramos Miranda (CRAM), o Núcleo Especial de Atendimento à Mulher da Polícia Civil da Bahia (NEAM), a Comissão da Mulher Advogada da OAB Itaberaba, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), a Procuradoria Especial da Mulher da Câmara de Vereadores, o Programa Fala com Elas, além da Associação das Mulheres do Bairro Concic (AMBAC), da Associação Mulheres de Fé e Luta – Maria Felipa, da Rede Mulher Itaberaba e da Rede Mulher Iaçu.
A expectativa é que o trajeto percorrido nas ruas de Itaberaba se torne um marco de mobilização comunitária no Portal da Chapada Diamantina, deixando uma mensagem clara e inequívoca: a sociedade não aceitará o silêncio diante da violência contra a mulher. Por Raiana, por todas, pelo direito de viver.
TRIBUNA DA CHAPADA





