Descaso público em Itaberaba: Bairro Toninho Romeu (Sem Teto) convive com esgoto a céu aberto e infraestrutura precária

A rotina de quem mora na Travessa 11, no bairro Toninho Romeu (Sem Teto), em Itaberaba, tem sido pautada pelo improviso, pelo medo de doenças e pelo sentimento de abandono. Entre a lama e o esgoto empoçado à porta de casa, famílias inteiras tentam equilibrar a vida cotidiana enquanto cobram respostas concretas do poder público local. A situação, que já é crônica, assume contornos ainda mais graves com os impactos diretos na saúde da comunidade, onde adultos e crianças têm sido diagnosticados frequentemente com dengue.
A queixa dos moradores a nosas equipe de reportagem aponta para falhas graves no planejamento e na execução das obras de saneamento básico na localidade. De acordo com relatos da vizinhança, durante a instalação do sistema de esgotamento sanitário, a estrutura simplesmente saltou a Travessa 11, seguindo para as vias subsequentes e deixando o trecho sem a infraestrutura mínima. Sem uma rede coletora adequada para o escoamento, a água servida das residências acaba descartada diretamente na via pública, acumulando-se nas portas das casas situadas na parte mais baixa da rua.
O cenário se agrava dramaticamente nos períodos de chuva. O acúmulo de água misturada à terra transforma o local em um verdadeiro lamaçal, dificultando até mesmo tarefas simples do dia a dia, como o deslocamento de pais e mães que precisam levar os filhos a pé para a escola. Além dos transtornos de mobilidade, a água parada e a proliferação de insetos transformaram a travessa em um ponto crítico para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
A dor de quem vive a realidade no portão de casa ganha rosto e indignação. Mães da localidade relatam com preocupação o contágio recente de crianças de apenas cinco anos, além de adultos que também contraíram dengue nas últimas semanas. A promessa oficial de pavimentação e calçamento da rua esbarra em um impasse burocrático e operacional: segundo informações passadas aos residentes, a colocação das caixas e da tubulação depende do terreno secar, ao passo que o calçamento definitivo só poderá ser executado após a conclusão da rede de esgoto. Enquanto o impasse técnico se arrasta sem prazos claros, a comunidade segue exposta aos riscos sanitário.
Frente ao silêncio e à falta de soluções definitivas, os moradores da Travessa 11 reforçam o apelo por uma intervenção emergencial das secretarias competentes da Prefeitura de Itaberaba e dos órgãos responsáveis pelo saneamento na região. A reivindicação da comunidade ultrapassa o desejo por melhorias estéticas; trata-se de uma cobrança urgente por dignidade, saúde pública e pelo direito fundamental de ir e vir sem caminhar sobre a lama e o esgoto. O espaço no Tribuna da Chapada está aberto a qualuer tipo de manifestação por parte do poder público diante da situação.
Tribuna da Chapada





