Opinião: ACM Neto ganha fôlego para negociar com aliados e Jerônimo deveria acender alerta

Por: Fernando Duarte*
O levantamento feito pelo Instituto Paraná Pesquisas sobre o cenário eleitoral de 2026 acende um alerta para o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) ao tempo em que reaquece o entorno de ACM Neto (União). Porém, faltando tanto tempo para as urnas, as leituras precisam ser feitas com bastante cautela. Especialmente quando uma confluência de fatores, a exemplo da configuração da disputa presidencial, pode afetar diretamente qualquer uma das candidaturas a governador no próximo ano.
O principal ponto de reflexão para Jerônimo não é o resultado das intenções de voto nos cenários espontâneo ou estimulado. É a avaliação do governo, que mostra uma tendência à desaprovação – apesar de tecnicamente os percentuais estarem muito próximos. Após ultrapassar a metade do mandato, o governador ainda não tem uma marca para chamar de sua e, quando fala sobre as próprias realizações, repete projetos e programas criados pelo antecessor, Rui Costa.
Além disso, Jerônimo enfrenta desafios em áreas delicadas, como a segurança pública, e lida com o grande eleitor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em baixa no cenário nacional e estadual. Como a economia não anda nos melhores momentos, é possível que o tema impacte negativamente no pleito do próximo e uma eventual refração a Lula traria um efeito cascata para a reeleição do governador. São fatores assim que precisam ser levados em consideração pelo entorno de Jerônimo.
Já ACM Neto, que vinha sendo alvo de questionamentos de aliados e alfinetadas pelos adversários, ganha fôlego para se manter como um ativo político para debater os problemas do governo. Os números, inclusive, atraem novamente uma “perspectiva de poder” que estava ausente desde a derrota para Jerônimo, no segundo turno de 2022. Caso o ex-prefeito de Salvador consiga capitalizar um impulso com essa pesquisa, é capaz de reverter até mesmo a virtual debandada de prefeitos de oposição que o entorno do governo tenta pregar.
Quem não teve motivos para reclamar foram os que defendem uma chapa formada pelos ex-governadores petistas Jaques Wagner e Rui Costa para o Senado Federal. Para além do recall eleitoral de ambos, a liderança com folga da corrida pelas duas cadeiras disponíveis reforça tranquilidade para a “chapa dos sonhos”, formada exclusivamente por filiados ao PT. Já Ângelo Coronel, provável alijado da reeleição ao lado do grupo político que o garantiu em 2018, entra em modo atenção total, visto que os dados do levantamento não o favorecem.
Uma pesquisa como essa pode não ter a acurácia que analistas políticos desejariam. Porém o levantamento mostra caminhos que podem guiar os grupos políticos para a disputa do próximo ano. Sabendo ler com cautela os resultados, é possível tirar bom proveito da pesquisa, ainda que seja diferente do que esperam os atores envolvidos.
Fernando Duarte é jornalista e editor chefe do site Bahia Noticias, onde tem uma coluna semanal de opinião. O texto publicado acima não reflete necessariamente a opinião deste meio de comunicação (Tribuna da Chapada).