A Voz do Lado B: Como uma Web Rádio de Lençóis Conectou o Rock Autoral da Chapada Diamantina para o Mundo

No coração da Chapada Diamantina, um manifesto sonoro ganhou vida no momento mais improvável da história recente. Em 12 de julho de 2020, enquanto o mundo se isolava devido à pandemia da Covid-19, nascia na histórica cidade de Lençóis, na Bahia, a web rádio O DNA DO ROCK. dealizada por Anselmo Quinto — um profundo admirador da música autoral e das vertentes do chamado “Lado B” —, a emissora digital surgiu com a missão clara de romper o silêncio do circuito comercial e dar voz a quem pulsa à margem da grande mídia.
Em 2026, o projeto celebra seis anos de resistência, consolidando-se como um dos principais faróis da cena musical independente do Brasil e do mundo. O projeto nasceu do inconformismo com a homogeneidade das programações radiofônicas tradicionais. Percebendo que uma quantidade imensa de talentos geniais permanecia invisível para o público geral, Anselmo Quinto decidiu transformar sua paixão em uma plataforma de difusão democrática. Dedicada exclusivamente ao formato autoral, a rádio funciona como uma vitrine viva para artistas independentes de todos os cantos do território nacional e do exterior, revelando um verdadeiro universo oculto de produções de altíssimo nível que dificilmente encontrariam espaço nas plataformas de massa.
Operando sob o slogan “O rock and roll na sua origem…”, a rádio resgata o espírito contestador, cru e autêntico que definiu o gênero em seus primórdios. Mais do que uma simples transmissora de músicas, a emissora foca na valorização da identidade artística e na preservação da essência do rock independente. Ao longo desses seis anos de trajetória, a iniciativa ajudou a mapear a produção contemporânea subterrânea, provando que a existência sonora vai muito além do topo das paradas de sucesso.
Ao comemorar mais um aniversário, a rádio O DNA DO ROCK reafirma seu papel social e cultural no fomento à arte livre. O projeto nascido na calmaria geográfica de Lençóis quebrou barreiras físicas através da internet, conectando criadores e ouvintes que compartilham do mesmo ideal: o respeito à criação autêntica. Para o futuro, a meta permanece a mesma dos tempos de isolamento pandêmico: continuar cavando o subterrâneo da música global para trazer à tona as relíquias sonoras que moldam a verdadeira identidade do rock and roll.
Tribuna da Chapada





